sábado, 2 de abril de 2011

Guerra de talentos chegou ao nível técnico

Valorizados e reconhecidos como profissionais de primeira necessidade, os especialistas entraram na mira dos empregadores em todo o Brasil. Saiba o que mudou na carreira e onde estão as vagas


Técnicos da Embraer, em São José dos Campos, no interior de São Paulo: o passe deles está mais caro
O Brasil vive um momento ímpar em sua história. A previsão de economistas e especialistas no mercado de trabalho é que o país termine o ano com crescimento do Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas geradas pelos diversos setores produtivos, na casa dos 7% e com pleno emprego ou muito próximo disso. As perspectivas de futuro também são promissoras. Estatísticas mostram que a economia do país tem a possibilidade de dobrar de tamanho ao fim desta década — possibilidade que vai depender bastante do desempenho do próximo governo e de como o cenário internacional vai se comportar daqui para a frente.

Esse ciclo de pujança anima empresários e executivos, que estão fazendo o planejamento estratégico de suas empresas e áreas de negócio considerando os bons ventos da economia que devem continuar soprando por aqui. Em outras palavras, o mercado de trabalho vai continuar aquecido. Há forte demanda por profissionais para ocupar cargos de gestão — de supervisor em diante. Mas há também cada vez mais postos sendo criados para cargos nos níveis de operação e produção. São posições para técnicos de nível médio e de nível superior, os chamados tecnólogos, e para engenheiros com perfil de especialista.

Todas essas boas notícias têm sido recebidas com um misto de satisfação e frio na barriga pelos grandes empregadores. E isso acontece porque a oferta de profissionais não acompanha nem de perto a demanda das empresas por eles. As faculdades brasileiras formarão cerca de 800 000 profissionais anualmente nos próximos cinco anos, número de cérebros insuficiente para atender o ritmo de crescimento do país, segundo o professor Valério Maccucci, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), em São Paulo. Nas contas do professor, seriam necessários 1,5 milhão de profissionais saindo todos os anos dos bancos das faculdades prontos para ingressar no mercado de trabalho.

Daí empresários, executivos de recursos humanos e estudiosos estarem buscando meios de evitar que o desenvolvimento nacional desacelere em razão da falta de gente capacitada. Para o nível técnico, em alguns setores, já é necessário importar mão de obra. De acordo com pesquisa conduzida pela consultoria em recrutamento Manpower no primeiro semestre do ano, 64% das empresas no Brasil afirmaram que faltavam profissionais disponíveis e que a primeira necessidade delas era a contratação de técnicos para produção, operação, engenharia e manutenção.

Até a primeira semana de novembro, havia na Manpower cerca de 500 vagas para profissionais técnicos de nível médio e superior, o que representa 10% do número de vagas abertas mensalmente. No Catho Online, uma das maiores recrutadoras online do país, o número de vagas abertas para técnicos de nível médio e superior contabilizava 9 500 durante o mês de novembro.

As principais oportunidades eram para vendedor técnico e técnicos em eletrônica, edificações, informática e segurança do trabalho. A preocupação com a falta de pessoas com perfil de especialista é tão séria que 20 grandes organizações de atuação nacional, representando quase todos os setores da economia e os dependentes dessa formação, criaram um grupo para atacar o problema.

"Percebemos que precisamos valorizar esse pessoal e atrair jovens para essa carreira", diz Lívia Sousa Sant'Ana, diretora de recursos humanos da construtora Mendes Junior e coordenadora do grupo. Fazem parte desse fórum Petrobras, Vale, Usiminas, ArcelorMittal, Braskem, Odebrecht, Mendes Júnior, Andrade Gutierrez, Basf, Magnesita, Mercedes-Benz e Fiat.

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